quarta-feira, 17 de junho de 2015

Descobrindo para que serve a Análise Musical.


No tempo da faculdade (1998 - 2002) sempre me perguntava por que cargas d'água eu tinha que ter aulas de Análise Musical. Certa vez, bem depois de formado, peguei um disco do Cravo Bem Temperado de J.S. Bach (1685 - 1750). Olhando a contracapa vi uma série de pequenos textos explicando cada faixa, notei que se tratavam de análises.

Na universidade fiz um texto de análise da Invenção nº 4 de Bach e sei o quanto é trabalhoso esse tipo de texto. Você tem que pegar a partitura da música e analisar compasso por compasso e depois organizar um discurso que diga alguma coisa interessante. Fiz apenas um.

No caso do disco o analista fez oito e nem há o nome dele na contracapa. Na minha análise fiz uma descoberta sem querer. Meu professor na época achou aquilo ótimo! Disse que se chamava contraponto invertível. Ainda tenho esse texto, foi escrito em 2001. Tirei um A.

Tenho um "Dicionário de Termos e expressões da Música" e fui procurar "contraponto invertível":
Técnica contrapontística em que a posição das vozes pode ser alterada sem prejuízo do resultado. O interessante é que esse Dicionário só foi publicado em 2004 e eu só o comprei em 2010, já na 2ª edição.

Na época não entendi o queria dizer um A. Eu sabia que o professor tinha feito Doutorado em Música nos EUA, mas não associei o A com uma nota alta. Só recentemente me dei conta que nos EUA as notas são dadas pelas letras do alfabeto, mas não sei exatamente quanto vale um A. Fiz uma análise pertinente, como ele mesmo escreveu (acho que eu não sabia o que era pertinente), encontrar um aspecto que não era evidente no gráfico. Também não entendi o que ele quis dizer com gráfico. Ele quis dizer partitura.

Como eu era disperso!

Percebo agora, depois de seis anos dando aulas e mais quatro fora do magistério alguns pontos onde a Análise Musical se justifica. Por exemplo, se você tiver um projeto de coral e quiser que os alunos cantem a duas vozes será necessário um arranjo. Se você não encontrar nada pronto terá que criá-lo.

Para criar esse arranjo será preciso conseguir a harmonia da canção que vai ser interpretada, se a tonalidade não couber nas vozes dos alunos terá que ser feita uma transposição (hoje os sites fazem essa transposição automaticamente). Para fazer a transposição antes você precisa fazer uma análise da harmonia.

No caso da abertura das vozes será necessário abrir os acordes para cada voz cantar determinadas notas. Vamos supor que haja um acorde menor na harmonia e os alunos tenham dificuldades em cantar intervalos menores (eu tenho essa dificuldade), dá para substituir por um acorde maior (dependendo do caso), para fazer isso é preciso um análise para decidir qual acorde poderá ser usado.

No tempo da faculdade eu encarava as coisas de outra maneira, eu pensava assim: Quem vai se interessar em saber sobre Análise Musical? Para quê as pessoas vão usá-la? Não há sentido em se ensinar esse tipo de assunto.

Eu tinha certa razão, realmente a Análise Musical não era para ser ensinada, era para ser usada por mim mesmo no ensino de outros assuntos.

Essa resposta ninguém me deu, até por que eu também nunca perguntei.

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