domingo, 19 de março de 2017

Nunca consegui engavetar os meus sonhos (20 anos na música).


Na Vila Izabel (Curitiba) em 2001.

Não foi exatamente do jeito que pensei ou planejei, mas bem ou mal sobrevivi. Não de música obviamente. Pensar que deu errado é o caminho mais fácil, sem opção, preciso pensar no que deu certo. Em 1997 quando decidi estudar música seriamente com 23 anos, estava simplesmente desempregado. Pra você ver que o Brasil sempre foi um país instável. Não existe estabilidade a não ser que você faça o famigerado concurso público, na iniciativa privada você tem emprego hoje, amanhã não se sabe, e esse amanhã pode ser depois de 20 anos.

Vamos supor que não tivesse optado pela música, nesse caso, provavelmente não teria feito a universidade. Eu tinha perdido o bonde do vestibular há alguns anos, aos 18 quis fazer psicologia, mas reprovei o 3º ano do antigo 2º Grau e desisti. Aos 23 fiquei preocupado com o futuro e quis fazer algo que o tempo não me tirasse e voltar a estudar pareceu boa ideia.

Estudar sempre é bom mas não exatamente do jeito que pensamos. Você percebe os problemas do Brasil quando estuda e vê o quanto somos atrasados em relação a vários assuntos, principalmente em cultura que é a área onde a música está inserida.

Enquanto escrevo esse post roda no player um CD do Moacir Santos, um dos maiores músicos nacionais. Moacir optou por fazer carreira fora do Brasil principalmente nos EUA, morreu em 2006 aos 80 anos praticamente desconhecido no país natal. Aquela velha anedota do compositor Tom Jobim que diz que a saída para o músico brasileiro é o aeroporto, é o tipo de humor que tem um fundo de verdade. Não sou comparável a Moacir Santos nem a Tom Jobim, mas entendo a opção de quem tenta a carreira musical fora do país. Mas em pelo menos uma coisa eu estava certo quando optei por estudar, o que aprendemos ninguém pode levar, principalmente se continuamos a nos interessar pelo assunto.

Não é fácil revisitar uma carreira (ou tentativa) de 20 anos, feita de altos e baixos, mais baixos do que altos, mas houve bons momentos.


c/ o Stanley Dix (a esquerda) em 1999.


Primeiro artigo extraído do TCC da Graduação em Música publicado em 2002.


Primeira coluna musical publicada em jornal (Manifesto Arte nº 1) em 2003.


Entrevista que realizei com Waltel Branco na capa da pZ em 2006.


TCC da Pós em MPB concluída em 2004 e publicada em 2008.


c/ Negra Li em 2012.


c/ Luiza Possi em 2013.


Gravando na track cheio em 2014.


Ed Motta na banca da LA Discos em 2014.


c/ Bacabí (vocalista da Punkake) em 2015.


Gravando na track cheio em 2015.


Lançamento do livro "Todas as Entrevistas da LA Discos" em 2016.



c/ João e Dayane Murbach no show do Guns N' Roses em 2016.



c/ Margot Brasil em 2016.



c/ Bento Araújo (editor da pZ) em 2017.

Nada é fácil e a gente precisa lutar sempre. Era mais prático deixar tudo mas nunca consegui engavetar os meus sonhos. A música era (e por enquanto continua sendo) muito importante para que eu pudesse fazer isso.

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